21 Maio 2011

Iguaria de gelo.



Conta a história que uma vez o rei foi visitar um famoso restaurante, que ficava numa província distante, mas que com o tempo se tornou conhecido pelo país. Nesse dia, o mestre cozinheiro recepcionou o rei, dizendo que ele poderia pedir o prato que quisesse, que ele o prepararia conforme seu gosto.

O rei era conhecido por seu humor espirituoso, com o qual se divertia sempre que podia, para o embaraço e desespero de seus súditos, ciosos de seus próprios pescoços. Pensou na oferta por um instante, e disse então ao cozinheiro que, como prato principal, lhe preparasse algo à base de gelo.

Era época de frio e neve naquela região, e apesar de haver certamente gelo por toda parte, o cozinheiro não poderia como prato principal servir algo gelado. Ele então sorriu numa licença e retirou-se do salão, dirigindo-se para a cozinha. Lá, apanhou pela janela algumas pontas de gelo que se formavam do telhado, como pequenas estalactites. Com um preparado de maizena, recobriu cuidadosamente os palitos de gelo, repetiu o processo, e os fritou em óleo bem quente. Feito o prato, dirigiu-se à mesa do rei para servi-lo.

Apesar de muito duros e quentes, eram curiosamente saborosos, e o rei se espantou ao constatar que de fato se tratava de gelo no interior, causando na boca uma sensação mista de quente e frio. Quase quebrou o dente, mas não teve alternativa a não ser cumprimentar o cozinheiro chefe.





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