25 Setembro 2010

Breve excerto sobre a necessidade da morte.


O fato de o ser vivo ser uma organização que busca ativamente sua manutenção nos torna um sistema complexo que, necessariamente, não pode ser fechado. Explico: as tensões causadas pela diferença e, no limite, a morte mesmo do indivíduo garantem, paradoxalmente, a manutenção da vida de um modo geral, que encontrou o melhor jeito de se prolongar na sucessão geracional de diferentes indivíduos.

Isto faz lembrar o mito do homem eterno, que em muitas das histórias em que é descrito aparece como alguém que acaba por perder seu sentido de ser, ficando de fora da História – um sujeito que é um anátema: não pode mais mudar, não pode mais morrer, num tipo de eternidade que se transforma numa maldição, pois não pode ser ‘vivida’.


1 - deixe um comentário:

  1. Caraca, eu vi esse quadro que você postou, exatamente esse, na frente do meu [monumental] nariz no museu dele em Amsterdam – que sensacional! Esta pintura é uma versão que ele fez de um quadro de Rembrandt [escuro, com pontos iluminados, como sempre] sobre a ressurreição de Lázaro. O Van Gogh usa os mesmos elementos do Rembrandt, Marta e Maria estão exatamente iguais, com as mãos levantadas e praticamente com a mesma roupa, assim como Lázaro, mas ele prefere enfatizar o ressurgimento da vida, em um quadro bastante claro com o sol nascente bem no centro. O legal de poder ver isso de perto é ter acesso não somente à pintura do cara, mas também um pouco de acesso à cabeça dele [afinal ele próprio também não tinha mais que um pouco de acesso à cabeça dele].

    ResponderExcluir