O fato de o ser vivo ser uma organização que busca ativamente sua manutenção nos torna um sistema complexo que, necessariamente, não pode ser fechado. Explico: as tensões causadas pela diferença e, no limite, a morte mesmo do indivíduo garantem, paradoxalmente, a manutenção da vida de um modo geral, que encontrou o melhor jeito de se prolongar na sucessão geracional de diferentes indivíduos.
Isto faz lembrar o mito do homem eterno, que em muitas das histórias em que é descrito aparece como alguém que acaba por perder seu sentido de ser, ficando de fora da História – um sujeito que é um anátema: não pode mais mudar, não pode mais morrer, num tipo de eternidade que se transforma numa maldição, pois não pode ser ‘vivida’.
Caraca, eu vi esse quadro que você postou, exatamente esse, na frente do meu [monumental] nariz no museu dele em Amsterdam – que sensacional! Esta pintura é uma versão que ele fez de um quadro de Rembrandt [escuro, com pontos iluminados, como sempre] sobre a ressurreição de Lázaro. O Van Gogh usa os mesmos elementos do Rembrandt, Marta e Maria estão exatamente iguais, com as mãos levantadas e praticamente com a mesma roupa, assim como Lázaro, mas ele prefere enfatizar o ressurgimento da vida, em um quadro bastante claro com o sol nascente bem no centro. O legal de poder ver isso de perto é ter acesso não somente à pintura do cara, mas também um pouco de acesso à cabeça dele [afinal ele próprio também não tinha mais que um pouco de acesso à cabeça dele].
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